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A intervenção educacional

A advogada Letícia Pineschi Kitagawa fala sobre iniciativas a sociedade civil voltadas para o suporte no campo da educação

17/07/2018 – Por Leticia Pineschi

Qual será o futuro de nossos jovens? Esta é uma pergunta que aflige milhares de famílias, principalmente as que moram nas comunidades carentes e áreas de risco de nosso Estado. Além da vulnerabilidade social em que vivem, estes jovens ainda precisam conviver com a violência, até então nada amenizada pelo processo de intervenção federal, e enfrentar o ensino público deficiente. Neste cenário é comum que crianças procurem trabalho para auxiliar no sustento da família e, infelizmente, muitas vezes isso não as afasta da criminalidade, pelo contrário, é o caminho para o crime.

O número é impressionante: 6,5% das crianças e adolescentes com idade entre 4 e 17 anos, ou seja, mais de 2,8 milhões de meninos e meninas, estão fora da sala de aula no país (PNAD/2015). A exclusão afeta justamente meninos e meninas vindos das camadas mais vulneráveis e o nosso Estado é um dos que apresenta maior índice de evasão escolar. São 72 mil crianças e jovens no mercado de trabalho no Rio de Janeiro (Rede Peteca/2017), em sua maioria, nas áreas carentes marcadas por situações de violência.

Com o abandono de políticas educacionais eficientes, a alternativa têm sido buscar o investimento no empresariado e sociedade civil para manutenção das crianças e adolescentes na escola. Ainda assim o trabalho de algumas ONGs é extremamente difícil e corre o risco de acabar. Uma delas é a ASBEPE, instituição que há mais de 11 anos, atende milhares de jovens de áreas de risco do Rio em Bonsucesso, Ramos, Gardênia, Complexos da Maré, Alemão etc e que acaba de lançar uma campanha para doação de recursos. Sua coordenadora, Andréa Siqueira, explica que, mesmo contando o apoio financeiro da iniciativa privada como a viação UTIL, ainda há a necessidade de maior engajamento pela sociedade civil a fim de manter este trabalho pois muitos não entendem que o apoio ao trabalho das ONGs é fundamental para a diminuição da violência em nossa cidade na medida em que “salva” estas crianças da cooptação ao tráfico pelas organizações criminosas.

Para que se entenda a importância de projetos sociais como este, até hoje, a ASBEPE beneficiou mais de 2 mil crianças e adolescentes com a prestação de assistência educacional, apoio psicopedagógico, realização de cursos técnicos, de línguas, preparatórios ao ENEM e para concursos, além de capacitação profissional. A ONG, que funciona em Ramos, possui, hoje, uma estrutura de atendimento que comporta uma biblioteca, laboratório de informática, uma pequena quadra poliesportiva e salas diversas. Nessa sede acontecem aulas de reforço escolar, de inglês, de informática, de educação física, de artes e teatro, além de oficinas diversas e suporte psicológico.

É imprescindível, neste momento, debatermos mais sobre propostas concretas de melhoria na educação de nosso Estado e refletirmos também sobre o papel do investimento social privado neste campo. A medida em que realizamos uma intervenção nos sistemas escolares é possível amenizar um cenário de desigualdade econômica e, consequentemente, diminuir os índices de violência.